Valorização do trabalho X Respeito ao voluntariado
25 março 2021 - Clarissa Cruz

Sempre atuei como voluntária desde que me formei na universidade. Isso sempre foi latente em mim, contribuir gratuitamente com alguma ação benéfica para o outro, para a sociedade, para o mundo em que vivo. É importante frisar que, apesar de muitos privilégios que me acompanharam e acompanham a vida inteira, sempre precisei e amei trabalhar. 

Ser voluntária é mesmo uma questão da alma, vai além do racional e da sobrevivência material. O significado de voluntariado passa mesmo por aí, pois é aquilo que é realizado instintiva e espontaneamente, com o objetivo de contribuir com os outros ou com uma causa. Portanto, é algo que se faz de boa vontade e que vem do coração.

Em regra, a pessoa que se voluntaria para alguma coisa, assim o faz por compreender a sua relevância e porque tem tempo e energia disponíveis para tal. Reconhecendo a importância de levantar a bandeira em questão e podendo dispor das suas horas, a remuneração não se faz necessária, porque o que está em jogo é o bem comum.

Colaboração X Voluntariado

Uma situação muito diferente é o trabalho colaborativo. Quando convidam você para ser colaboradora, a valorização do seu trabalho e das suas habilidades profissionais tem que se mostrar bem explícita. Afinal, tem que haver uma troca valiosa no processo. Troca essa que não tem que ser financeira, mas que precisa ser palpável.

Porém, algumas pessoas confundem tudo isso ou agem mesmo de má-fé. Ao saberem que você atua como voluntária, entram em contato e querem ‘contratar os seus serviços voluntários’. Como assim? Isso não existe! Isso é nonsense! Porque ou estamos atuando conjuntamente por um mesmo ideal ou o contratante precisa remunerar quem está sendo contratada.

Não é porque a instituição — pública ou privada, com ou sem fins lucrativos — é do ramo em que eu atuo voluntariamente, que se tem o direito de achar que vou trabalhar para ela gratuitamente. Isso é exploração. Ouvi uma frase, cuja autoria supõe-se ser da atriz Fernanda Montenegro, que diz assim: “Não me peça para fazer de graça aquilo que faço para viver.” #ficaadica

Artistas e ambientalistas

Há alguns setores em que essa situação tende a acontecer corriqueiramente, os meios artístico-cultural e ambiental, por exemplo, são dois deles. É como se profissionais e apaixonados por essas áreas fossem ‘bonzinhos’ ou vivessem de mágica. É como se fosse fácil abrir mão de tudo e qualquer coisa em nome do amor que se tem pelo trabalho.

Já pensou em parar num posto de gasolina e perguntar se podem abastecer o seu carro voluntariamente? Ou, talvez, ao chegar num restaurante ou num consultório médico, falar que só poderá arcar com os custos básicos, propondo que a pessoa deixe o ‘extra’ (lucro) de lado? Pois é, precisamos desenhar isso para um melhor entendimento.

Assim, é preciso saber aplicar o bom senso. Voluntariado diz respeito à espontaneidade, ou seja, é algo que surge de dentro da pessoa naturalmente. É algo bonito e que precisa ser valorizado pela nossa sociedade. Agora, querer ‘contratar’ uma pessoa para atuar voluntariamente no seu negócio é extremamente absurdo e desrespeitoso.

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Clarissa Cruz

Clarissa Cruz

Clarissa é promotora de um estilo de vida integrado à natureza e cofundadora da Zera Zero. Formada em Comunicação Social com especialização em Publicidade e Propaganda, compreendeu muito cedo que a grande indústria gera excessos em todos os níveis e que, portanto, precisa de um freio. Acredita que o foco da vida não pode estar no verbo “consumir” e, por isso, elaborou hábitos simples, de uma vida centrada no autoconhecimento e próxima à Mãe Terra. Gosta de escrever, abraçar árvores, andar descalça e de balanço, além de olhar nos olhos. Ela quer ser uma samurai, por isso pratica Iaidô, que é a arte de desembainhar espadas.