A minha relação com o dinheiro
8 fevereiro 2021 - Elisa Alkmim

Desafios das mulheres modernas

Vivemos normalmente inconscientes e aprisionadas na nossa relação com o dinheiro, mas pela falta de consciência temos mesmo uma dificuldade em reconhecer e trabalhar essa questão. É mais fácil fugir ou negar, do que querer encarar. Afinal, por que será que é tão difícil falar de dinheiro? 

Falamos de sexo, de maternidade, até mesmo de traição ou outros temas difíceis, mas o dinheiro continua sendo um grande tabu em nossa sociedade. Especialmente para nós mulheres, muitas vezes dependentes financeiramente de um(a) companheiro(a), ou sem um trabalho fixo, ainda dedicada aos cuidados com os filhos e/ou a casa, como nos sentimos quando o assunto é dinheiro? Desconversamos, fingimos que não é conosco, mudamos o assunto para algo que dominamos mais ou nos sentimos mais à vontade.  Mas sabemos que incomoda.

Estudos revelam que a causa central de 70% das separações conjugais está relacionada com questões financeiras. Ouvimos casos desse tipo todos os dias, e ainda assim encontramos um abismo quando temos vontade de conversar sobre dinheiro dentro de casa, ou no nosso relacionamento. É como uma ferida que carregamos em nossa alma, uma ferida psicológica, nossa e de toda a humanidade. O papel que o dinheiro tem na nossa vida hoje é fundamental, mas pouco explorado. E temos nos perdido neste caminho.

Temos as nossas crenças individuais, que nos limitam, mas se formos olhar de maneira mais ampla, iremos verificar que há algo maior que nos rodeia, crenças inconscientes que toda a humanidade da nossa época enfrenta. Essa ferida com relação ao dinheiro, que nos causa sentimentos como medo, angústia, impotência. E muitas vezes nos levam ao egoísmo, à ganância, ao desrespeito dos nossos próprios valores.

Vivemos um inconsciente coletivo rodeado por 3 mitos:

Não há suficiente (dinheiro/tempo/amor), Mais é melhor (o medo da falta nos leva ao acúmulo), e Não temos escolha (não temos a capacidade de mudar a realidade então precisamos aceitar a vida como ela é).

Para mim, aprender a encarar essas três “verdades” universais como MITOs foi extremamente libertador. É empoderador. Saber que não estou sujeita a nenhuma lei universal, a não ser aquilo que eu realmente acredito e SOU CAPAZ de mudar, a partir das minhas próprias escolhas e capacidades. Sim, temos o suficiente no mundo hoje (dinheiro, alimento, água, amor) para que TODOS vivam bem e em paz. Por isso não precisamos viver no acúmulo e no egoísmo, mas encontrar o nosso ponto de suficiência e aprender a conviver com fraternidade em nossas relações. Sim, há desigualdade no mundo, mas ela é motivada pela nossa ganância e não pelas nossas capacidades. Precisamos aprender a viver em conjunto e a compartilhar de fato a vida, ou estaremos criando o nosso próprio fim.

O dinheiro não é bom nem mau. Ele é necessário. Criado pelo homem para servir ao homem. O dinheiro possui o poder que eu atribuo a ele. E não o contrário. Precisamos resgatar o nosso papel nessa relação, quem é mesmo a dona de quem? Preciso fazer com que o dinheiro trabalhe para mim, para ser um facilitador e realizados de meus sonhos e projetos. Este caminho de consciência em relação ao uso do dinheiro e minha atuação na economia é a nova iniciação moderna. Somente o meu autodesenvolvimento pode me libertar dessas amarras e me ajudar a curar da minha relação com o dinheiro e com a vida. É um caminho sem volta rumo a nossa liberdade e atuação consciente no mundo. Só precisamos ter a coragem de começar. 

site: economiaviva.com/ 

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Elisa Alkmim

Elisa Alkmim

Elisa é facilitadora e consultora de processos de desenvolvimento humano e organizacional. Nos últimos anos se dedicou aos temas da economia, finanças e nossa relação com o dinheiro, e como isso impacta em nossas vidas e na sociedade. Participou da criação a Rede Economia Viva e é co-fundadora da ComViver, a associação que promove o Programa Germinar no mundo. Administradora pela UFMG, com Certificação Internacional em Gestão de Projetos para o Desenvolvimento (PMD Pro), formação em metodologias de gestão de projetos participativos, Pedagogia Social e Economia Viva. Possui experiência com gestão de pessoas e processos no Brasil e no exterior.