Por Júnea Casagrande

Para muitos, a capacidade de criar é quase um dom sobrenatural, que ocorre milagrosamente com alguns poucos bem-aventurados, artistas e cientistas. Os atos de criação, e por que não dizer de criatividade, são vistos como eventos fora do alcance da experiência normal, desligados da realidade. Chega-se até a considerar comportamentos criativos como “fora da regra”.

A artista plástica, educadora e humanista Fayga Ostrower, porém, propõe uma nova perspectiva: “ver a criatividade não como uma capacidade que está fora, além ou acima do humano, mas, ao contrário, como algo inerente à própria condição humana.  O homem é um ser criador, naturalmente, espontaneamente, e não excepcionalmente.”

Segundo Ostrower, se entendermos a criação como a transformação de determinada matéria (física ou mental), a criatividade se estabelece como um potencial de ordem geral, detido por todos. Criar, seria então, um processo básico para os seres humanos, que ao transformar as matérias, buscam compreendê-las melhor.

O entendimento da criatividade como um potencial existente em todos, porposto por Fayga Ostrower, estabelece profunda relação com a forma de condução do Espaço Aberto de Abril, feita por Tereza Mudado.

Tereza Mudado é psicóloga e atua em processos de formação empreendedora com uso de dinâmicas, metodologias participativas e jogos educativos. No evento, denominado Criatividade na Solução de Problemas, o trabalho foi desenvolvido exatamente no sentido de tornar a criatividade algo real, próximo, palpável. A criatividade não está apenas nas obras de grandes criadores artísticos, mas pode e deve estar presente nas nossas vivências cotidianas.

É interessante, porém, perceber como, em geral, nos apegamos a padrões de pensamentos que nos limitam. Um dos desafios apresentados por Tereza aos presentes era montar a mais alta estrutura possível com determinados elementos que estavam disponíveis. Um dos presentes sugeriu uma solução bastante e simples e rápida, que seria prender um palito de picolé em um barbante e jogá-lo pela janela, mantendo a ponto do barbate oposta ao palito no ambiente onde estavam. Essa estrutura provavelmente seria a mais alta possível, visto que a altura da janela ao piso da rua era maior do que o pé direito do local onde a dinâmica acontecia. No entanto, muitos participantes se mostraram receosos em relação a esta solução pois estavam com o pensamento atrelado a uma ideia mais habitual de estrutura (algo com base, que sai do chão, vai de baixo para cima). Esse relato é apenas um exemplo de como as soluções, muitas vezes, são mais simples do que pensamos, basta apenas tentar pensas e enxergar de forma mais ampla, sem medo do novo.

Nos desafios propostos durante o evento, não interessavam os conceitos de certo ou errado, mas sim a experimentação e o entendimento de que para uma mesmo questão existem infinitas possibilidades de ações e soluções.

*O Espaço Aberto é um evento exclusivo para membros do Impact Hub Belo Horizonte, mas se você se interessou pelo assunto e pelo trabalho de Tereza Mudado, entre em contato com ela através do e-mail terecam@gmail.com.  Aproveite e também fique de olho em nossa programação, pois realizamos mensalmente outros cursos e eventos abertos ao público.

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